sexta-feira, 13 de maio de 2011

DESCARNADO




                                     

      "Passarinho" Texeira Nunes / Brandolt & Villaverde

O dia vinha clareando e prometendo ser comprido
Sai assoprando no ouvido de um rosilho descarnado
Mas do "quecho" calejado e refugado por bandido

Foi na pegada que eu disse entre risos debochando
Quem ganha a vida peonando se governa nos arreios
Abaixo de espora e "reio" se tem quatro patas eu ando

Coitado louco de fraco e com os vazios lá no fundo
Querendo "achica" o matungo atropelei num sentado
Que coiceou e caiu dobrado falando forte pro mundo

"Vamo" embora seco "véio" trato bem quem é mimoso
Mas pra ti caco tramposo que tem a fama de mau
Esfolo a cabeça a pau e esfrego os garrão no toso

Saltava esterco com barro "daonde" ele se afirmava
Num contraponto eu soltava meu trançado sem ponteira
Gritando viva a fronteira num rebencaço que dava


Dai a pouco se deu volta que baita golpe eu tomei
Atordoado levantei vendo minhas garras de arrasto
Achei a cincha e o basto e o resto não procurei


Sigo lidando na estância sem vontade e contrariado
Vendo o basto pendurado me lembro do caborteiro
Mas vou seguir de caseiro bem longe do descarnado






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