Mostrando postagens com marcador Músicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Músicas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de maio de 2011

DO PELO QUE NÃO NEGA




  Marcelo Mendes / Gerson Brandolt & Beto Villaverde

O patrão numa volteada me apareceu com um cusquito
Duma racita moderna mais parecia um sorrito 
Por serem loucos de buenos deu por ele uma exorbitância
Lidava com gado e " oveia " em todo serviço na estância

É do pelo que não nega disse muito sorridente
Pois eu nunca imaginava o que vinha pela frente
Tinha a volta do olho preta pus o nome de pirata
Que mal apeou do carro e já estraviou minhas alpargata

Para pirata! Pra trás pirata e nada de me escutar
A praga não afloxava e eu já rouco de gritar
Para pirata! pra trás pirata me disparava o arteiro
Eu fazia trocar de ponta dum laçacito campeiro

As orelhas eram enfeites na cabeça do animal
Corria tudo que é bicho e nunca dava um sinal
Terminou com minhas galinhas a criação era pequena
Fugia da cozinheira com a boca cheia de penas

Peguei um bagual gateado sestroso e passarinheiro
O cusco saltou na cola na saída do potreiro
Veiaqueou de vereda me plantou sobre um cupim
E o guaipeca desgraçado brincava em roda de mim

Para pirata!..
Se o gado tava no tronco só mordia nos "garrão "
Dava um serviço danado abichava no verão
Se saisse numa "oveia" ele arrancava um pedaço
E ligeiro como um gato pra se escapar dum balaço

Uma ' véia " solterona me pediu um cachorrinho
O danado teve sorte porque era bonitinho
" Devereda " fui no povo pessoalmente fiz a entrega
E elogiava o guaipeca que é do pelo que não nega

terça-feira, 24 de maio de 2011

O MOURO CABEÇA PRETA




Quando me dei por conta o mundo vinha girando
Pois deu um bufo assombrado se deu volta veiaqueando
Bagual que estava costeado perdeu a doma no upa!
No primeiro salto que deu me sentou lá na garupa
Mas eu que vivo no arreio não me assusto assim no más
Fui me ajeitando nos cacos quando deu volta pra trás
E aprumando uma guachita aconselhando o rapaz


Era um mouro cabeça preta marca de bridão dos guerra
Que se incomodo comigo querendo me por pra terra
Mala branca, desgranido foi inventar esta fuzarca
Boleava a anca no ar corcoveando que nem vaca
Mas eu que vivo.......


Cruzamos num taiperiu quase igual a um pé de vento
Taureando nesta peleia sem aflouxar nem um tento
Oigalê pegada feia neste fundão de invernada
Nesta hora que se vê que a vida não vale nada
Mas eu que vivo.......


Vinha os arreios ringindo numa toada de pelo e couro
Entreparou contra a cerca reconheceu a doma o mouro
Troteou meio se espiando como zombando comigo
Enfiei o chapéu nos olhos com cara de poucos amigos
Por que eu que vivo......

Gerson Brandolt